terça-feira, 3 de maio de 2011

Desespero- Parte II

Quanto a rotatividade está nos custando?
    
     - Isto está me custando uma fortuna - disse Greg, já entrando na sala de simon. Ele nunca batia a porta antes - afinal, era o dono da empresa.
     Greg fundara a Admiral quando tinha apenas 17 anos e, em 25 anos, transformou o que era a empresa de um homem só em um pequeno exército de cerca de 400 funcionários.
     Hoje ele é um empresário rico e bem sucedido. Porém, sempre que alguém pergunta o que ele faz, sua resposta é: faço serviços de limpeza.
     De vez em quando, Greg tem que ir a eventos sofisticados, e as pessoas riem quando ele diz isso, pois acham que é brincadeira. Mas, no instante em que notam que ele está falando sério, as risadas dão lugar ao constrangimento.
     Greg é um empreendedor - é capaz de vender qualquer coisa para qualquer um e tem o incrível dom de perceber tendências e antever oportunidades. No entanto, também é um pouco estouvado e um tanto esquentado. E foi por isso que Simon acabou sendo contratado como diretor executivo.
     - O que está lhe custando uma fortuna? - rebateu Simon, já sabendo exatamente sobre o que Greg estava falando.
     - A rotatividade! - disse Greg, muito irritado.
     Na sexta feira à tarde, Simon deixará os relatórios mensais na mesa de Greg. Entre eles estavam os dados de demissões e admissões do trimestre. Nos últimos três meses, a taxa de rotatividade da Admiral fora de 107%. Isso mesmo. Naqueles 90 dias, 428 funcionários haviam deixado a empresa.
     - É difícil saber quanto isso está nos custando - afirmou Simon. Para alguns cargos estamos precisando contratar três pessoas por trimestre. E não se trata apenas dos gastos com treinamento. A rotatividade afeta o ânimo e a eficiência do pessoal e o nosso relacionamento com os clientes. Faz um ano que venho avisando que isso é um problemão.
     Eu sei, eu sei - concordou Greg. - Só que agora estamos começando a perder clientes por causa disso. Hoje o Charlie, da P&G, me ligou para dizer que vamos receber uma carta de advertência comunicando que ficaremos soba avaliação durante 90 dias. Ele disse que nosso trabalho tem sido mal feito e que nossos funcionários estão sempre mudando. Na P&G, acham que estamos indo para o buraco.
     Simon permaneceu sentado, encarando Greg em uma espécie de torpor.
     - Pronto, agora estou levando em conta o que você vem dizendo. Dê um aumento ao pessoal. Isso vai fazer com que eles fiquem, não é?
     - Gostaria que fizesse, mas não tenho certeza - respondeu Simon. Não quero simplesmente jogar dinheiro sobre o problema. Precisamos descobrir o que está causando essa alta rotatividade. Temos que saber por que as pessoas estão indo embora daqui.
     - Como vamos descobrir isso? - perguntou Greg.
     - Perguntando a elas - disse Simon.
     - Ah! - grunhiu Greg. É claro que essa idéia jamais lhe passara pela cabeça.

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